Expansão só da porteira para dentro

Balanço parcial do agronegócio em 2015 indica crescimento limitado às cercas das fazendas de 2,4%. Nas exportações, queda de preços e o custo Brasil deverão conter resultados de 2016

Lavouras de soja avançaram, mas embarques ao exterior deverão ter aumento modesto de 0,9% da receita em 2016 
O campo mantém as perspectivas de responder à crise da economia brasileira como uma espécie de tábua de salvação do país em 2015. Ainda assim, a âncora verde foi incapaz de reverter os resultados ruins do Produto Interno Bruto (PIB, a soma da produção de bens e serviços), que, no decorrer do ano, devem ter apresentado queda da ordem de 3%, de acordo com as últimas estimativas de economistas independentes, analistas de bancos e corretoras. O balanço parcial da agropecuária no Brasil indica expansão de 2,4% no ano passado, segundo balanço divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Se confirmado, o resultado elevará a participação da agricultura e da pecuária no PIB total do país para aproximadamente 23%. De janeiro a setembro de 2015, o setor avançou 2,1% pelas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na comparação com idêntico período acumulado em 2014, embora no terceiro trimestre tenha registrado tombo de 2,4% ante o trimestre anterior e de 2% frente aos meses de julho, agosto e setembro de 2014.

O bom desempenho em 2015 foi apurado, principalmente, dentro da porteira, ou seja, pela produção que ainda não tinha sido processada. Oagronegócio, representado pela agroindústria, insumos e serviços, não se destacou. A retração em 2015, calculada pela CNA, deve ter alcançado 0,6%. “Os indicadores econômicos posicionam os números da produção agropecuária como pilar da sustentação econômica brasileira”, afirmou o presidente da CNA, João Martins da Silva Junior.

Apesar de ainda exibir marcas que colocam o país entre os principais produtores de alimentos do mundo, a atividade sofreu mais no decorrer de 2015 para alcançar os resultados positivos. “Permanecemos preocupados com as agruras da falta ou excesso de chuva, a instabilidade dos preços, os altos custos dos insumos e os problemas de escoamento da safra. Produzir, em meio a tantas adversidades, exige determinação, disciplina, muito trabalho e amor pelo que se faz”, destacou Silva Junior durante a divulgação do balanço parcial de 2015, divulgado no mês passado.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, informou que a expansão do PIB da agropecuária na casa dos 2% em 2015 deve ser repetida em 2016. Para ela, o setor continua se destacando por seus ganhos de produtividade. No entanto, a crise forçou a redução dos investimentos no campo. A cautela, em seu ponto de vista, é normal em períodos de recessão econômica.

Se o crescimento modesto do agronegócio só aumenta o grau de preocupação do setor, nas exportações houve pouca novidade e 2016 não inspira projeções alentadas. A contribuição que o recuo das importações deu ao saldo positivo da balança comercial brasileira em dezembro é mostra dos efeitos da crise econômica e da necessidade de reformas estruturais e investimentos em infraestrutura para tornar o produto nacional mais competitivivo, na avaliação do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

O superávit registrado no comércio do Brasil com o exterior foi de US$ 5,243 bilhões em dezembro, resultado de exportações avaliadas em US$ 14,514 bilhões e importações de US$ 9,272 bilhões. A média diária de compras do país caiu, em dezembro, 34,1% frente às cifras do mesmo mês de 2014. Numa análise detalhada do desempenho das vendas externas em 2015, com projeções para este ano, Augusto de Castro observa que, à exceção do açúcar, as principais commodities (produtos agrícolas e minerais cotados no mercado internacional) dão sinais de queda nos preços neste ano em decorrência de uma oferta superior à demanda no mundo.

“Não obstante o superávit comercial projetado para 2016, o Brasil continua necessitando realizar urgentemente reformas estruturais, investir maciçamente em infraestrutura para reduzir custos de logística e acelerar processos de desburocratização”, afirma. Essas condições, de acordo com o presidente da AEB, são essenciais para que o país promova a redução dos custos da produção interna, tornando competitivas as mercadorias importadas, sem que elas dependem da taxa de câmbio.

Pelas previsões de Augusto de Castro, em 2016, a soja em grão manterá, pelo segundo ano, a liderança nas exportações brasileiras, com receita estimada de US$ 21,090 bilhões, representando ligeiro acréscimo de 0,9% frente ao resultado também estimado de 2015, de US$ 20,893 bilhões (veja o quadro). O açúcar em bruto tende a ficar na segunda posição, com projeção de receita de US$ 6,47 bilhões e aumento de 6,9%, seguido dos embarques da carne de frango, estimados em US$ 5,90 billhões em 2016, representando perda de 4,8%.

Minas na corda bamba

Depois de registrar índices de crescimento de até 15% ao ano, oagronegócio mineiro também não teve um resultado tão positivo em 2015. Ficou praticamente estável. De acordo com dados levantados até setembro, o segmento registrou alta de apenas 0,65% no faturamento total em relação ao resultado de 2014. O crescimento foi o menor dos últimos 11 anos. Em 2014, a expansão foi de 7,03%. Os dados foram divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Para o presidente da instituição, Roberto Simões, o desempenho ruim do mercado interno foi o principal responsável pelo fraco balanço da agropecuáriamineira. Ele afirmou que os reflexos da crise econômica acabaram chegando ao campo no decorrer de 2015. Em Minas, o leite foi um dos produtos mais prejudicados. De acordo com balanço divulgado pela Faemg em dezembro, embora o valor do litro pago ao produtor tenha sido 4,4% superior ao praticado em novembro de 2014, a produção se tornou muito mais onerosa, já que, na mesma comparação, o aumento do custo de produção chegou a 14,2%. Segundo a última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de café 2015/2016 ficou em 42,1 milhões de sacas, com redução de 7% em relação à de 2014/2015, quando foram colhidas 45,3 milhões de sacas. A baixa foi explicada, principalmente, pelos efeitos da seca, resultando num baixo índice vegetativo da planta e redução da produtividade.

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